terça-feira, 21 de abril de 2009

Para Gazeta Mercantil

OS USA PRECISAM IR AO FMI.


Salvador Sícoli Filho – 10/04/09


Enquanto a arrogância americana perpetuar a utilização do dólar como padrão monetário, não se diluirão os efeitos causadores de uma recessão longeva e hostil para a maioria dos países.


Quase sete meses depois de tornado público o desenlace financeiro internacional as autoridades das principais economias da terra continuam em busca da fórmula de reversão para a devastação ocorrida no sistema.

Esta pesquisa se tornou insensata na medida em que foi pilotada exatamente pelo país principal causador. Paradigmas e conceitos transformados em cinzas no fim do mito de mercados autorreguláveis.

Junto, a capitulação de todo o sistema produtivo na formidável geração de opções e instrumentos tão sofisticados quando eivados de alto poder de contaminação.

Empresas de países como o Brasil também se viram acossadas e alvo de mirabolantes contratos de hedge e de derivativos tóxicos com cláusulas desconexas na paridade e que induziram operações produtivas saudáveis a se contaminarem em instrumentos de duplo pêndulo como os iníquos contratos de câmbio do tipo “target-forward” que somente aqui entre nós não sofreram contestações judiciais.

Empresas e países atraídos pela possibilidade do hedge de seus ativos enveredaram daí para a especulação através de mecanismos obscuros.
A partir de 15 de setembro passado, portanto, não se pode aceitar como solucionador quem foi o maior croupier do insano.

Assim como Bernard Maddof em seu inusitado mundo de US$ 80 bilhões em desvios, os USA vinham produzindo há anos uma formidável corrente da felicidade.

Sob a égide do moto-contínuo foi criada a bomba fantástica do sub-prime e suas hipotecas demolidoras.
Com tanta artificialidade como poderiam os USA perpetuar a sua auréola de líder do mundo?

Agora o poderio militar incomparável americano parece ser o único anteparo para o que deveria ser uma reação em cadeia do resto do mundo.

Ou que outros temores provocam a curvatura do mundo diante de propostas tão insólitas e que não propiciarão alento duradouro e sustentável aduzidas por mentores americanos?

No momento em que os USA quebraram mantendo déficits monumentais o vigor incólume do dólar e dos treasuries de longo prazo deveriam ceder.
Porque não se deu tal desenlace?

Por que não se mudam os padrões? Não se pode admitir a insana medida de emitir moeda para serem injetadas em conglomerados falidos pela sua própria insuficiência?

Países em convulsão ao se repararem em défault recorreram ao IMF.

Injetando dinheiro novo em bancos os USA estarão somente fornecendo incerteza para as gerações futuras. Criarão mastodontes que padecerão de uma letal indigestão.

E assim fica a sensação de que os dirigentes mundiais estão somente adiando e empurrando com a barriga problemas sobre os quais não visualizaram ainda a solução.

Recorrer ao IMF e padecer anos sob os rigorosos ritos de seu receituário. Obrigados à contenção de seu déficit público, a manter sobre controle rigoroso o seu endividamento e barrando o débito fiscal. Deveriam os USA serem instados a recorrer a um agente neutro para reinstalar a sua credibilidade?

É certo que padecerão as trocas comerciais mundiais com a retirada de parcela considerável de relações com o outrora principal país do mundo. Mas a subsistência deste modelo de sustentação do crescimento de produto interno e prosperidade é inexequível.

Muito pior será subestimar os efeitos ainda mais nocivos da revascularização do sistema ancorado na impressão de dinheiro fraco na origem e mantido artificialmente forte para preservar um status quo que respira por aparelhos.

Não há que se fugir desta realidade queira o devaneio americano, quer não.

*

Sem amarras de um sistema financeiro corroído e com a reinserção de bancos pequenos e regionais subsidiados ao início pela ação do FED e de um poupado Tesouro.

O que não parece justo é que a sociedade mundial, criada pela globalização, venha a ser penalizada pelo terremoto sistema financeiro cujo epicentro foi gerado em Wall Street.

O crime não pode permanecer eternamente impune. Há responsáveis e não há como se postergar a penalização sem a qual a falta de confiabilidade do sistema perpetuará as suas agruras.

Ao IMF deveria caber o papel de administrar o espólio estadunidense. E também dentro de novas características seria credenciado a um novo papel: o de agente regulador das operações financeiras internacionais.


Pela reconstituição de um sistema financeiro sustentável:

Os USA precisam ir ao IMF.

Salvador Sícoli Filho

salsificonsulting@yahoo.com.br

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