domingo, 15 de março de 2009

CARTA ABERTA A MÁRCIO GARCIA

Vitória, 13/03/09.

Prezadas Editoras de Valor,

Não espero que publiquem o meu impublicável manifesto.

Mas registro a minha indignação e peço – já que não foi publicado o e.mail – ser dirigido este ao Sr. Márcio Garcia.

O economista Márcio Garcia em artigo a Valor de 13/03/09 faz a defesa da política monetária e o seu hediondo sistema de metas de inflação que combato desde 1999 quando Armínio Fraga assumiu o BC e a nefanda pratica. Em uma série de artigos publicados na antiga Gazeta Mercantil desde 2001 até 2003 registrei de forma incisa e veemente o meu repúdio contra a farsa.

Ontem escrevi indignado sobre a covardia contra o país da omissão dos homens dos banqueiros instalados no COPOM sob as vistas desde 2004 desse governo de despreparados.

Agora vem Márcio Garcia fazer a defesa do hediondo. Recolho uma frase dele que me toca.
É chocante. (tanto quanto idéia sem acento graças a imbecil e retrógrada nova ortografia feita por apedeutas para apedeutas)

Já, no Brasil, que só tardiamente venceu a hiperinflação com o Plano Real, é comum se ouvir, ou ler, que a ameaça inflacionária é um bicho papão inventado pelo BC para justificar seu fascínio por juros altos.

“Muitos economistas defenderam no passado a ideia que uma pequena inflação era boa, pois ajudava a financiar o crescimento da economia. Outros tiveram participação ativa em colocar o país no caminho da hiperinflação, ao adotarem combate inflacionário via pretenso aumento da oferta em vez de redução de demanda. Essas mesmas pessoas, hoje, ridicularizam a política monetária que conseguiu, a duras penas, corrigir o desastroso resultado hiperinflacionário de seus erros.”

Ora Dr. Márcio: Não é fascínio pelos juros o que leva há 10 anos a inventar a fantasmagórica (palavra cunhada há 10 anos por mim, me perdoe o Dr. José Carlos de Assis que a usou esplendorosamente em seu magistral artigo de hoje “O Totem da Inflação”) visão e o bicho papão da inflação. É isto sim, o arcabouço de pretextos imbecis que só os néscios e os economistas a serviço dos bancos aceitaram: a visão às vésperas de cada reunião do COPOM de nuvens carregadas de ameaças que prenunciariam uma inflação que nunca veio. Um escudo para proteger os assaltantes banqueiros travestidos de beneméritos da sociedade, colecionadores de artes – muitas vezes seqüestrados de quem não agüentou lhes pagar a agiotagem – os homens do terno preto que praticam os spreads de corar agiotas da Praça Sete, XV, Ramos Azevedo etc.

A economia de mercado funcionaria se não fossem os economistas comprometidos com os bancos e que tecem imbecilidade sob teorias arcaicas e eivadas de sofismas para a grande massa de imbecis e cordeiros comandos como banqueiros hoje simbolizados pelos milhares de Bernard Madoff que pululam sugando dinheiro dos trouxas e até de governos desorientados como os que agora lhe socorrem.

Isto não é propriedade dos governos europeus e americanos. O despreparado governo atual muito mais que o anterior já vem protegendo os bancos contra todo o setor produtivo e a população há muito tempo.

José Carlos de Assis tem razão mas vou muito além.

O sistema de metas foi um instrumento maquiavélico criado e adaptado no Brasil para, sob o pretexto de manter sob controle a inflação, proporcionar a mais brutal chacina do setor produtivo transferindo toda a renda para o setor banqueiro.

Salvador Sícoli Filho

SALSIFI Consulting Ltda.

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