Eu recomendo o livro de Cláudia Trevisan sobre a China e "OS CHINESES"
Autora analisa mudanças culturais, políticas e econômicas do país.
Livro - As contradições da poderosa China
Por Flávia Cesarino Costa, de São Paulo - 31/07/2009
"Os Chineses" - Cláudia Trevisan
A populosa China: livro é competente introdução a qualquer dúvida sobre o país
Contexto 336 págs., R$ 49,90 / AA+
O último livro de Cláudia Trevisan confirma muitos dos meus medos. Medo de que estejamos tapando o sol com a peneira, esquecendo que a China é muito mais poderosa, presente e influente do que parece. Medo de ouvir o barulho que fazem os 1,3 bilhão de habitantes de um país que foi império por centenas de anos e quer voltar a sê-lo.
"Os Chineses" deixa claro que quem não entender esse monstro escondido, híbrido de comunismo, capitalismo e tradição, vai ficar para trás. Tudo o que diz respeito à China é gigantesco, monumental e complexo. E, como estaremos cada vez mais envolvidos com a presença chinesa em nossa vida, é útil começar pela leitura do livro de Cláudia, correspondente de "O Estado de S. Paulo" em Pequim.
O livro é uma competente introdução a todas as dúvidas que possamos ter sobre as questões chinesas, escrito de maneira didática e abrangente. Por isso, este volume da "Coleção Povos e Civilizações", da Contexto, serve tanto para quem procura informações consistentes sobre o país quanto para quem quer dar o primeiro passo para um aprofundamento posterior.
Falar da China é falar de contradições. Como explicar que o imenso afeto dos pais pelos filhos - costume confucionista - possa conviver com a desvalorização dos bebês do sexo feminino, que chegam a ser mortos ou abandonados? Como aceitar que o país das bicicletas esteja sendo invadido por enormes carros, símbolos de ascensão social? Como entender que sua moderna economia conviva com um regime autoritário, sem proposta de democratização, que prende, tortura e às vezes elimina seus dissidentes?
Mais: como se explica que o regime comunista tenha sido capturado por uma fúria transformadora que está descaracterizando o estilo tradicional de vida, destruindo sítios históricos e arqueológicos em nome do crescimento? Como dar conta do fato de que a maioria dos ricos do país nasceu pobre e sem expectativas e hoje alimenta o maior destino mundial de produtos de luxo? É possível separar o antigo costume da troca de favores e o horror dos chineses de passar vergonha das crescentes práticas de corrupção? Não é assustador constatar que a China responde por 2/3 de todos os produtos piratas vendidos no planeta? Como se explica que depois de décadas de ceticismo comunista a superstição retorne tão maciçamente ao cotidiano desse povo, que troca torpedos desesperadamente?
Cláudia explica tudo com humor e minúcia, entremeando dados históricos e econômicos às prosaicas descrições de suas experiências de estrangeira na China. Cada tópico é construído para estimular a curiosidade do leitor, que, passado o choque, fica com vontade de saber mais. Para isso, um bom começo pode ser o exame da vasta bibliografia usada pela escritora para cercar cada assunto que figura ao fim do livro.
O saldo da leitura é um sentimento ambíguo, de apreensão e curiosidade. Porque, como explica a autora, a meteórica ascensão que a China experimenta representa para os chineses apenas o retorno ao lugar que historicamente lhe pertenceu, de "Império do Meio" - antes de sucumbir ao Ocidente. Ocidente este que agora se vê obrigado a compreendê-la ou perecer.

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