domingo, 15 de março de 2009

RECORDANDO UM ARTIGO

O OCASO DA DINASTIA DOS BANCOS E SEUS EFEITOS COMBINADOS


Salvador Sícoli Filho -20/06/08

Como será o mercado financeiro mundial após a tsunami do sub-prime e a crise das hipotecas.

Quando se fala que algum país se descolou da atual crise americana, é de bom termo recorrer-se a um banco de dados e de idéias.

Conseguirá algum país tais proezas, como em habitual triunfalismo proclamam alguns presidentes?

Os indicadores de solvência do sistema financeiro americano não deixam dúvidas em ao efeito combinado de dominó e maremoto precursores de uma inédita época de caos.
A grandiosidade das perdas estampadas no quadro 1 – “Perdas de grandes bancos”, que mostra alguns ícones destroçados pela irresponsabilidade de descasamentos de prazos, se juntando a uma avalanche de instrumentos financeiros criados para passar adiante os micos gerados na primitiva célula da impossibilidade de quitar empréstimos de mutuários sem histórico e sem lastro.

A máquina dos derivativos e a gama sofisticada de títulos percorreram vários países a partir dos USA, passando por Europa, Ásia, a ávida China e seus mega-superávits, até chegar aos potentados árabes do petróleo, num roteiro de deixar turistas profissionais boquiabertos. Todos entraram no baile a partir da orquestra e guitarra emissora do Tio Sam.

Ao se recordar das primeiras perdas tornadas públicas em julho de 2007 com o caso do BNP-Paribas, passando pelas estripulias atribuídas a um operador solo, JK – mistura e sonso e gênio interiorano, até chegar a gigantes como Citi Group, Lehmann Brothers, Merryl Lynch, o extinto Bear and Stearns e os austeros bancos suíços, teme-se pela lucidez de quem se resigna a acreditar no poder miraculoso do FED e seus congêneres europeus para neutralizar o imenso caudal de insucessos.

Para salvarem seus lautos caraminguás assistimos à China entulhada de dólares e treasuries e aos fundos soberanos dos reis do petróleo assentados nas adjacências de Dobai e seus afrodisíacos países, comprarem generosas fatias de participações em bancos tecnicamente minados, com o sonho de conseguir estancar essa hemorragia em golfões.

Enquanto isto a dança fúnebre das cadeiras jogava fora CEOs antes endeusados pela capacidade de gerar castelos de ar no longo período de lucros demoníacos paridos e potencializados de derivativos.

Torna-se insustentável a continuidade de os fornecedores de insumos, desde commodities minerais até o rei petróleo conseguirem repassar aos preços as perdas com a volatilização do dólar.

Assim devam os mentores e responsáveis pelo escudo supervisório e transações financeiras globais atentarem para a necessidade de incluir novas práticas para a salvaguarda do sistema financeiro mundial e seus reflexos na face explícita e hoje, estupefata, dos setores produtivos, agentes reais das grandes transformações do mundo moderno.

Se esta é uma transformação em curso, lamenta-se porém dizer: O pior está por vir!

Começou pelas desvalorizações dos imóveis americanos que consultores locais estimam poder chegar a 30% com a execução récorde de hipotecas.
Passou pela assunção dos bancos de perdas monumentais ao redor do mundo.
Os efeitos potencializados pela alta do petróleo para compensar a desvalorização do dólar no planeta, deve se estender à menor utilização dos veículos com o preço récorde do galão de gasolina - acima de US$ 4,00 – passando pela diminuição dos preços dos materiais de construção até afetar firmemente o varejo americano.

A China terá menos canais de escoamento de seus produtos e daí à frenagem da locomotiva também afetada agora pelo repasse na semana passada dos aumentos dos preços do petróleo e da energia.

Selado pelo interesseiro “investment grade” de agências desgastadas pela imprevisão das perdas do mercado imobiliário, ao Brasil se apresentarão dificuldades para manter o status de paraíso mundial dos juros que enquanto trazem os recursos externos, demolem a balança comercial e toldam nuvens atiçadas pelo imenso descontrole dos gastos públicos.

Destarte, enquanto BCs do mundo estudam novos modelos para mitigar os pesadelos, também a nós cabe refletir sobre um novo modelo para substituir aquele que só vicejou pelas benesses de um imenso crescimento da economia emergente da China.

Salvador Sícoli Filho

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