SEGUNDA NEGRA E O CARNAVAL NO PAÍS DO CARNAVAL
SEGUNDA NEGRA E O CARNAVAL NO PAÍS DA MAROLINHA
Monday, monday: the worst is´nt yet to come!
Salvador Sícoli Filho - Alessandro de Almeida Sícoli - 23/02/09
Enquanto nossos políticos, sambistas e garbosos operadores curtiam o Carnaval, na Bolsa de Nova York aconteceu mais uma segunda-feira negra. Malgrado os esforços de dirigentes europeus com Ângela Merkel à frente no fim de semana para debelar a crise e achar fórmulas miraculosas de restabelecer o controle e a sanidade do sistema a bolsa fez o mesmo sinal que as suas congêneres: deslisou vigorosamente com a última meia -hora se transformando em pânico puro.
O índice atingiu os menores patamares em 11 anos voltando aos níveis de 1997 da crise asiática. Chamou-nos a atenção a queda exuberante e trágica de Gerdau que caiu 12,76% e as ações ordinárias da Vale que cairam 11,80% e com um volume assustador - mais de 50% acima da sua média dos últimos três meses.
Isto leva a várias reflexões com o que vimos apregoando há muito tempo.
Estão acontecendo várias dèmarches entre dirigentes de empresas e governantes visando a estancar a hemorragia mas tudo o que se fez até agora foi desperdício de munição e as autorIdades estão atônitas e sem rumo.
Causa espanto o embaraço e a falta de vigor do Secretário do Tesouro americano Thimothy Geithner e a desaparição de Obama da gestão da crise.
Enquanto as ações despencam o crime continua sem castigo.
O Brasil, campeão mundial de juros e país conhecido mundialmente pela promiscuidade de seus políticos e a corrupção geral é no entanto mais cuidadoso no trato com entidades financeiras em processo de falência. Decreta-se a intervenção extra-judiciale pronto. Um interventor é nomeado e os bens dos últimos dirigentes da instituição financeira é colocado em indisponibilidade.
Não seria uma receita a ser colocada desde o início pelo antigo Secretário do Tesouro de Bush, Henry Paulson, ele mesmo um ex-dirigente de banco privado?
No país do crédito fácil, e do déficit público impagável os executivos foram pagos a peso de ouro para inventarem mecanismos à prova de controles - os SIVs que nem sequer transitavam em balanços - uma punição se requer imediatamente para amenizar a quebra de confiança no sistema.
A limitação a US$ 500 mil dos bônus a executivos bancários por Obama foi iníqua e contraproducente. Os que imitaram o diabo dos derivativos redundantes deveriam mesmo é ter passaporte direto para o inferno que eles mesmos criaram e ter seus bens congelados.
Os banqueiros que originalmente eram agentes de fomento se transformaram ao longo do tempo em criadores de correntes de felicidade com o lançamento impune de instrumentos derivativos em proporções acima da sua incomensurável ganância.
O sistema monetário em xeque e implodindo intermitentemente, para sobreviver deverá passar por um purgatório longo e realmente muito penoso.

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